Cirurgia de Joelho: Por Que a Reabilitação Pós-Operatória Define o Seu Sucesso?
Após uma cirurgia de joelho bem realizada seu médico te "deu alta hospitalar" e você já está em casa descansando. Muitos acreditam que, a partir desse momento, basta repousar e esperar o corpo se recuperar, mas a realidade não é bem essa: a cirurgia representa apenas parte do caminho para a sua recuperação completa.
A cirurgia bem realizada tecnicamente e os materiais cirúrgicos de qualidade tem uma importância óbvia. A indicação do procedimento correto e no momento adequado para o contexto do paciente também. Entretanto, nada disso importa se a reabilitação não é feita de maneira adequada. O resultado, portanto, está intimamente relacionado ao comprometimento com a reabilitação pós-operatória.
Entenda por que a fisioterapia não é apenas um "detalhe opcional", mas um fator que define como você voltará à sua rotina normal ou se conviverá com limitações.
O Primeiro Passo: Indicação
Antes de mais nada é preciso entender as necessidades do paciente e o momento em que ele se encontra. As diversas lesões do joelho podem ter tratamentos diferentes de acordo com a demanda individual e, algumas delas, tem mais de uma opção cirúrgica. Além disso, viagens programadas, férias escolares e momento da temporada esportiva se tornam relevantes quando escolhemos quando operar.
Indicar ou não um procedimento cirúrgico, portanto, é o primeiro passo em direção ao bom resultado pós operatório.
O Segundo Passo: Ato Cirúrgico
Definida a conduta, passamos à programação da cirurgia: exames complementares pré operatórios, ajustes de medicações e hábitos se preparando para o dia do procedimento. Controlar doenças ou comorbidades existentes é fundamental nesse momento.
Quando chega o dia, o que conta no ato cirúrgico: técnica adequada e atualizada (depende do cirurgião e de sua equipe, incluindo Anestesista) e componentes cirúrgicos de instrumental e implantáveis de qualidade (diminuem o tempo cirúrgico e a morbidade do procedimento, além de também apresentar maior durabilidade).
Cirurgia concluída com sucesso? Começa então sua reabilitação.
Por Último, Mas Não Menos Importante: Reabilitação Pós Operatória
O tecido operado precisa de estímulos controlados para recuperar força, movimento e estabilidade. Sem um processo estruturado de exercícios, mesmo a cirurgia mais perfeita pode resultar em rigidez na articulação, atrofia muscular e dor crônica.
Estudos acompanhando mais de 1.500 pacientes mostraram um dado revelador: aqueles que compareceram regularmente à fisioterapia apresentaram uma melhora funcional drástica aos seis meses de pós-operatório. A matemática da recuperação é simples: quanto maior a dedicação às sessões, maior a independência física relatada pelo paciente.
Não realizar a fisioterapia e não respeitar as orientações e cuidados pós operatórios é jogar fora todo o trabalho investido
O Impacto da Reabilitação
Cada cirurgia terá uma programação de reabilitação de acordo com as necessidades inerentes ao procedimento. O foco inicial é sempre controlar a dor e estimular a mobilidade articular precocemente. Quanto menor for a dor, mais fácil fica a recuperação.
Simultânea e progressivamente deve-se reativar a musculatura e proceder gradualmente com o ganho de força. Para alguns procedimentos, como a reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior, a força e outros fatores são sempre mapeados e objetiva-se uma assimetria menor que 10% quando comparados ao membro não operado. Gestos esportivos são reintroduzidos no momento certo. Nem antes, nem depois.
Esse acompanhamento é essencial no retorno seguro às atividades e o nível de adesão do paciente à sua própria reabilitação é um fator decisivo. Comprometimento superior à 60% com a reabilitação demonstra redução das complicações pós operatórias, do tempo de internação hospitalar e do risco infeccioso também. A não adesão ao protocolo correto de fisioterapia ou retorno precoce ao esporte aumenta o risco de falha do procedimento cirúrgico ou de novas lesões ou re-lesões.
Por que tantos pacientes abandonam o tratamento?
Apesar da importância comprovada, dados mostram que apenas 53% dos pacientes seguem o protocolo de reabilitação à risca. Os principais motivos incluem:
- Falta de clareza nas orientações médicas
- Medo de sentir dor ao movimentar a perna operada
- Dificuldade de locomoção até a clínica
- Falta de apoio familiar durante o processo
Quais as Possíveis Consequências ou Sequelas dos Procedimentos Cirúrgicos?
• Rigidez articular: a falta de mobilidade do joelho faz com que a cicatrização dos tecidos crie aderências que, acumuladas e negligenciadas, causarão limitação do arco de movimento do joelho; isso pode gerar a necessidade de um novo procedimento para liberar tais aderências e devolver a mobilidade da articulação
• Falha do procedimento ou nova lesão: algumas estruturas levam tempo para se adequarem ou cicatrizarem no pós operatório. Logo, sobrecarga, prática esportiva, exercícios em intensidade excessiva podem colocar em risco todo o trabalho despendido na cirurgia: ou danificando a estrutura abordada no procedimento, ou danificando estruturas que atuam em conjunto com ela
• Dor crônica: a incapacidade de controlar a dor e o imobilismo são fatores intimamente relacionados ao processo de cronificação da dor, ou seja, são co-responsáveis pela alteração do mecanismo pelo qual o corpo percebe e entende a dor
Como Aumentar as Taxas de Sucesso da Sua Recuperação
Para não fazer parte da estatística de abandono e buscar o melhor resultado da sua cirurgia, siga estas três regras de ouro:
- Supervisão de qualidade: exercícios guiados por um bom fisioterapeuta são muito mais eficazes e seguros do que tentar fazer sozinho em casa; associe-se à bons profissionais que estarão ao seu lado durante a reabilitação
- Alinhe expectativas: converse com seu cirurgião antes de operar. Entenda que a recuperação exige paciência e esforço diário
- Cuidado integral: o uso de tecnologias complementares (como eletroestimulação e crioterapia) e o cuidado com a saúde mental são fundamentais para manter a motivação em alta; às vezes a reabilitação requer mais do que o seu médico e seu fisioterapeuta
Você é o Protagonista
A excelência do seu cirurgião estabelece o potencial de cura, mas é o seu esforço na fisioterapia que transforma esse potencial em realidade. A cirurgia não termina no centro cirúrgico. Ela termina quando você recupera a sua qualidade de vida. Encare a reabilitação como uma parceria onde a sua dedicação é o componente mais valioso. Enquanto o foco for a reabilitação, saiba que você não estará sozinho.
Se você tem dúvidas quanto ao processo de recuperação da sua lesão ou procedimento cirúrgico, entre em contato. Vamos conversar e trabalhar para devolvê-lo à sua atividade.
Autor e responsável técnico: Dr. Victor Kenzo Arashiro (CRM SP 217.231 |RQE 125.225 | Membro SBOT & SBCJ)
